Concurso Guarda Prisional 2026: porque há mais vagas do que candidatos

Concurso Guarda Prisional 2026: porque há mais vagas do que candidatos

A DGRSP abriu, em junho de 2026, o concurso 08/CGP/2026 (Aviso n.º 14173/2026/2) com 200 vagas para o Curso de Formação Inicial de Guarda Prisional (CFIGP). À primeira vista, parece um concurso como outro qualquer da função pública. Mas os números do concurso anterior, o 06/CGP/2024, contam uma história diferente — e quem se prepara para o CGP devia conhecê-la antes de decidir como estudar.

Um concurso com mais vagas do que candidatos

Em 2024, a DGRSP abriu 225 vagas de guarda prisional. Candidataram-se apenas 403 pessoas e, segundo dados avançados pela tutela no início de 2026, só 25,8% dos candidatos que entraram no processo chegaram a iniciar a formação — outras fontes apontam para apenas 57 formandos efetivamente admitidos para 225 vagas. Mais de três quartos das vagas abertas em 2024 ficaram, na prática, por preencher à primeira tentativa.

É o inverso do que acontece em concursos como o da GNR ou da PSP, onde há tipicamente vários candidatos por vaga. O sindicato dos guardas prisionais (SNCGP) já tinha alertado, antes do concurso de 2024 fechar, que o corpo "corria o risco de não conseguir aprovar nem 100 pessoas".

A explicação está do lado da procura, não da oferta: no final de 2025, as prisões portuguesas estavam a 103,4% da capacidade (quase 13.000 reclusos), e diretores de estabelecimentos prisionais descrevem a situação como "2.700 guardas para 13.400 presos". O Governo fala em recrutar 400 novos guardas até 2027 — contra cerca de 1.000 reformas esperadas no mesmo período. O concurso de 2026 não é um evento isolado: é uma tentativa de corrigir um défice estrutural de pessoal, e isso muda a forma como vale a pena encarar a preparação — a questão real não é "será que há vagas para mim", é "o que me vai realmente diferenciar na entrevista e na prova".

O que mudou entre 2024 e 2026

O aviso de 2026 não repete o de 2024. Mudaram pelo menos quatro coisas:

  • Idade de admissão: o intervalo passou de 21-28 anos (2024) para 18-35 anos (2026) — uma liberalização significativa que alarga muito a base de candidatos elegíveis.
  • Peso dos métodos de seleção: em 2024 não havia entrevista; em 2026, a fórmula final passou a ser 30% provas físicas + 40% prova de conhecimentos + 30% entrevista profissional de seleção, com a avaliação psicológica a passar a apto/não apto apenas.
  • Prova física: saiu o salto sem balanço (uma das cinco provas de 2024); ficaram quatro provas, com a prova de resistência aeróbica (ex-teste de Cooper) a manter os 12 minutos mas agora pontuada numa escala de 9,5 a 20, e não apenas por aprovação/reprovação.
  • Programa da prova de conhecimentos: o Anexo III de 2026 passou a incluir dois diplomas que não constavam em 2024 — a Portaria n.º 175/2020 (classificação dos estabelecimentos prisionais) e a Portaria n.º 300/2019 (estrutura dos serviços centrais da DGRSP). Quem estudou pela bibliografia de 2024 está, neste momento, a estudar incompleto.

A cilada que a maioria não vê: a prova não é só escolha múltipla

Há um pormenor no Aviso que a maior parte da preparação "tipo concurso público" ignora: a prova de conhecimentos permite a consulta de legislação simples não anotada durante a prova, e pode ser composta por perguntas "de resposta condicionada, de lacuna, de escolha múltipla e de pergunta direta" — não só escolha múltipla. Isto tem duas implicações práticas:

  1. Treinar apenas com testes de escolha múltipla (como qualquer banco de perguntas, incluindo o nosso) ajuda a reconhecer a resposta certa — mas não prepara necessariamente para a escrever do zero, nem para encontrar rapidamente o artigo certo num diploma impresso, sem anotações, com o cronómetro a correr.
  2. Vale a pena treinar a navegação pelos 12 diplomas do programa em papel — sublinhar, marcar separadores por artigo — porque, ao contrário de uma prova totalmente "fechada", aqui ganha-se tempo por se conhecer bem o índice da lei, não por se ter memorizado cada vírgula.

Preferimos deixar esta honestidade escrita: o nosso banco de 223 perguntas é inteiramente de escolha múltipla, e é uma excelente forma de testar se dominas o conteúdo dos 12 diplomas — mas não substitui a prática de responder em formato livre. Combina os dois.

E depois de aprovado?

Durante o CFIGP, a remuneração segue a tabela de "agente provisório" da PSP. Terminada a formação com aproveitamento, o novo guarda entra na 1.ª posição remuneratória da categoria, com os suplementos em vigor — valores avançados na imprensa apontam para cerca de 1.717 €/mês com suplementos incluídos, já depois da formação. Segue-se um ano de período experimental.

Se o concurso 08/CGP/2026 já tiver as candidaturas encerradas quando leres isto, o padrão dos últimos ciclos sugere que não será o último: o défice de efetivos é estrutural, e a DGRSP tende a abrir novo concurso antes de 2027. Vale a pena começar a preparação agora, com os 12 diplomas certos — e não com os de 2024.

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